sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Minha História Profissional (resumida)

Em Julho de 2005 concluí a minha licenciatura em Direito, numa Universidade privada de Lisboa. Cheia de expectativas, com muitos sonhos para realizar, lá fui eu em busca de uma carreira.
Fui difícil encontrar patrono. Sem nenhum advogado na família e sem conhecer qualquer advogado, estive até ao último dia para me inscrever na Ordem dos Advogados (ufa!!!foi por pouco). Encontrei um, num escritório antigo, já velhote, sem grandes expectativas de futuro. Passado um ano o  patrono morre.
Lá entrei em desespero sem saber para que lado me virar.Mas, aparece um amigo que conhece um advogado que não se importa de ter uma estagiária.

Aqui começa a ilusão. Só promessas, a velha história de saber o quanto sofreu com estagiário,quanto é difícil a vida de estagiário, etc. É verdade que andei com ele para alguns lados (julgamentos, prisões, tribunais, etc). Mas também é verdade que trabalhei sem receber um euro. Até cheguei a trabalhar para o patrono do meu patrono. Mas se era para ser advogada, não importava, ia até ao fim do mundo. Mas depois, a reviravolta.
O dia em que recebo a minha cédula de advogada estagiária e posso começar a trabalhar para ganhar alguns trocos. Aí, a peças processuais já não aparecem para fazer, deixam de existir julgamentos para a acompanhar e ficam apenas as oficiosas que me são atribuídas pela Ordem. Começo a desanimar e como tal penso em arranjar alguma coisa para ganhar dinheiro.

Um part-time num call center. Quatro horas por dia não parecia assim tão mau, mas telemarkting é de morrer. Somos maltratados, só ouvimos berros, querem vendas a todo o custo. Estive lá três meses e pouco. Felizmente surgiu quase de seguida uma oportunidade de trabalhar na PT, a prestar serviços à ASAE. Aí fazia o tratamento jurídico das (celebres) reclamações feitas no Livro e reencaminhava-as para as entidades competentes. Mas 5 meses depois, a PT perde o concurso (é muito cara para ASAE) e como estava contratada a termo incerto, lá vem a rescisão. Mas como tínhamos um directora muito querida, lá arranjou lugar para alguns de nós.
Acontece que, passo de contratada pela PT, para trabalhadora temporária, com contratos mensais no departamento de contencioso da mesma PT. Ali trabalhava-se bastante, não havia mãos a medir. Mas por muito que se trabalhasse e por muito boa profissional que fosse, a chefia não reconhecia isso. Como queria mais, lá comecei à procura de outro trabalho, até que 8 meses depois surge a oportunidade de ir trabalhar para a uma sociedade que gere direitos de autor, para o departamento jurídico. O ordenado era superior, trabalhava-se 7h30/dia, davam seguro de saúde, contrato de 6 meses. Não me pareceu nada mau e não olhei para trás. Quem sabe se não estaria aqui uma oportunidade de carreira e até a possibilidade de, finalmente, poder terminar o estágio.
Só que fui para ao Departamento de Relações Internacionais, onde tinha de analisar os contratos com as sociedades congéneres e responder a algumas questões jurídicas que essas sociedades suscitavam. Digamos que o trabalho era escasso e a maioria da vezes fazia trabalho administrativo. Tinha uma directora que nem se levantava para ir buscar folhas que imprimia.
Entramos então no corrente ano, onde mal eu sabia que a minha vida profissional ia dar uma reviravolta. Tudo começa quando um dos amigos do presidente da Direcção dessa sociedade passa a tempo parcial para o departamento onde eu estava. Acontece que ele já era director de outro departamento. Achei realmente estranho que ele fosse colocado ali, já que não havia muito trabalho, éramos 4 no departamento (a contar com a directora). O problema é que esse amigo não fica apenas parcialmente, mas a tempo inteiro. Começo a ver a minha vida a andar para trás.
A um mês e meio da renovação do contrato, a minha directora chamam-me ao seu escritório e diz-me que com muita pena dela não vão renovar o contrato comigo. Começam as desculpas: a crise; o dinheiro que não têm; os acordos que vão fazer com os funcionários mais antigos; o edifício que vão arrendar (são dois); que o departamento não precisava de tanta gente; desculpas e mais desculpas. Mas o melhor estava para vir...
Como tinha dias de férias para gozar, 24 para ser mais precisa, tinha de as gozar e não as podia receber (política da sociedade). E assim mandam-me embora para o desemprego.

Estava eu de "férias" surge a oportunidade de ir trabalhar para um banco em regime de outsourcing, a recibos verdes (os famosos falsos recibos verdes). Parecia aliciante, mas com o que me iam pagar, feitos os descontos todos inerentes aos recibos verdes, ficava com menos de 300 euros/mês. E sem qualquer possibilidade de arranjar outro trabalho para complementar, porque quase se trabalhava de sol a sol.

Agora aqui estou eu desempregada, sem estágio concluído, à procura de um trabalho. Mas ao que parece estou a ficar velha, porque tenho 30 anos e na área do Direito, pedem pessoas até aos 25/26 anos.

O Sonho ainda não se realizou, mas ainda não desisti e não tenciono desistir. O futuro que me aguarda não sei. Só sei que irei continuar a lutar por ele.

4 comentários:

  1. Olá "Licenciada Desempregada".

    Cheguei aqui há poucos minutos, através de um comentário deixado no nlogue da Pipoca Mais Doce. Também no início deste mês iniciei o meu blogue a propósito da situação de desemprego em que me encontro e, embora o meu esteja muito paradinho, achei graça à coincidência. Sou também licenciada, numa outra área, e fiquei desempregada no início deste ano. Vou acompanhar o teu desenvolvimento por cá... e muito sinceramente, espero que em breve os nossos blogues deixem de fazer sentido. Boa sorte na tua procura de emprego :)

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  2. SF boa sorte também para ti. Espero que daqui a pouco tempo estejamos a escrever sobre o nosso novo emprego.

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  3. Olá "Licenciada Desempregada", se não é indiscrição onde tiraste a tua licenciatura? Para eu saber se posso esperar o mesmo destino..

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  4. Anónimo: Tirei a minha licenciatura na Universidade Lusíada de Lisboa.

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