quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Associação Renovar a Mouraria

Para quem não sabe, esta associação visa reabilitar o bairro da Mouraria através da organização de várias iniciativas, nomeadamente culturais.
Vi, agora, numa notícia que pretendem reabilitar um prédio devoluto, para que as pessoas possam ir habitar para a Mouraria.

Só que ninguém quer ir habitar para a Mouraria. Pois enquanto o problema do tráfico e consumo de droga subsistir, ninguém vai querer construir o sua vida num bairro assim.
Nasci e cresci a paredes meias com o bairro, a rua onde vivia apesar de pertencer à freguesia da Graça, está em plena Mouraria. Lá fiz os meus amigos, lá fiz o ensino primário na velhinha Escola Primária da Mouraria, lá tive namorados, lá tive toda a minha vida até 2010. Vi aquele bairro degradar-se a olhos vistos. Os mais novos saíram, os mais velhos vão morrendo, os prédios vão ficando degradados. Os que não saíram, da minha geração, a grande maioria já esteve presa por tráfico ou consumo de droga. Foram meus colegas na escola.

O consumo de droga tornou-se um hábito em plena rua, à vista de todos os que passam. Já não ficam dentro de casa, dentro dos carros, etc. Onde não sejam vistos por velhos, crianças, veraneantes, turistas que por ali passam.
O tráfico é feito em plena luz do dia, à vista de todos sem qualquer pudor. Por vezes lá há uma operação policial e alguns são detidos mas, no dia a seguir, já estão de volta ao bairro. Passando pelos policias que os detiveram, rindo-se nas suas caras.

É esta a vida no bairro da Mouraria. E, agora vêm dizer-me que querem reabilitar um prédio mesmo no centro do tráfico e do consumo de droga!!! Quem vai para ali? Pois, eu respondo "ninguém". Quem lá vive quer de lá sair e quando pode sai mesmo.
A reabilitação do bairro passa  por erradicar o problema da droga, não passa por fazer festinhas pelas ruas do bairro, não passa por colocar fotos pelas paredes do bairro. Isso é pura ilusão e só denota que, quem está à frente desta associação não quer ver o verdadeiro problema do bairro. Parecem-me uns meninos bonitos que aparentam preocupação para com o bairro e para com as pessoas do bairro, mas que na realidade só querem "aparecer" e ter alguma projecção.

Tenho pena que assim o seja, fico mesmo muito triste. Foi o bairro onde cresci, mas do qual não tenho saudades devido àquilo que se tornou.

Se quiserem conhecer a associação podem ver aqui.


3 comentários:

  1. Moro na Mouraria desde Setembro (vim trabalhar para Lisboa, procurava arrendar uma casa no centro a um preço baixo, a Mouraria foi a melhor opção) econcordo que a droga é o principal problema do bairro. Não sinto medo ou insegurança nos trajectos que por lá faço (de manhã, hora de almoço e noite) mas toda a gente que aí vive se apercebe dos pontos de tráfico de droga que estão sempre a funcionar e nas movimentações que ocorrem no bairro nesse sentido. É comum, no caminho para o trabalho/casa, ver seringas no chão... ou cruzar-me com um toxicodependente a injectar-se à luz do dia, num lugar de passagem de moradores e de turistas. É comum também ver um conjunto de pessoas que se nota que se dirigem para o bairro apenas com o propósito de irem comprar droga, pois parece-me que os consumidores de que falo não são moradores do local (quanto muito arrastam-se pelo Martim Moniz durante o dia).

    Acho estranho como, com esquadras da polícia tão perto (uma na Rua de Palma e outra no Rossio) não se faz alguma coisa... certamente não é por não estarem ao corrente da situação, já que eu, apenas morando ali há uma semana, me apercebi logo do que se passava.

    Ainda assim, parece-me que as pessoas envolvidas (traficantes e consumidores) vivem "na sua" e não incomodam os moradores (no sentido em que não sinto insegurança e já regressei por diversas vezes a casa sozinha e a diferentes horas do dia e da noite e nunca presenciei nenhuma situação complicada). Incomodam no sentido de eu, que ali moro, não ter que me desviar de seringas no chão que percorro para ir trabalhar. Não ter que ver a degradação humana que é uma pessoa a drogar-se á minha frente. Não ter que ver as ruas cheias de lixo diariamente atirado para onde calha pelos mendigos ou desocupados que por ali se arrastam e em nada contribuem para a sociedade. Não ter de ser importunada por homens (jovens) a pedir dinheiro "para comer", que vejo todos os dias nos mesmos sítios a beber pacotes de vinho, a fumar e a sujarem as ruas.

    No sentido de eliminar estes problemas é que devia ser feita uma intervenção no bairro. Porque, na sua maioria, é habitado por moradores que não incomodam ninguém e que apenas pretendem viver as suas vidas tranquilamente. Incomoda-me mais este mau ambiente que vejo no bairro do que a estrada ter calçada antiga ou a canalização poder ser substituida por uma melhor (que são as obras que vejo serem feitas neste momento, dando-se o irónico de estarem a remover todas as pedras da Rua Marquês Ponte de Lima, para a calcetarem novamente e, no final, no Largo do Terreirinho, estar o grupo de traficantes de droga do costume a vender à luz do dia para quem quiser comprar).

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  2. Como eu te percebo. Já não vivo na Mouraria há um ano e pelo que me dizem parece estar pior. Eu nunca tive problemas, pois a maioria dos traficantes andaram comigo na escola. Entendo que as pessoas que por lá passem sintam medo. E, eu não morava numa rua muito má (Rua dos Lagares), mas que com o tempo também foi ficando pior.
    Parece-me que a CML tem as prioridades trocadas no que diz respeito à Mouraria. Toca de lhe lavar a cara, mas o que lá vai dentro que se dane.

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  3. Ola bom dia, Eu nao quero fugir do topico mas agradecia se me pdesem ajudar! quanto temos de pagar em obras feitas no noso predio? neste caso como exemplo se renovarem a fachada e o interior etc e gastarem ai 40mil por apartamento qual a taxa que cabera a cada ou quanto e a presentagem paga pelo estado e quanto e pelo dono? Agradecido

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